Democracia: um sonho de poder?

Precisamos ter coragem e assumir que o Brasil parou desde a eleição presidencial quando – sem entendermos por quê – a esquerda não consegue se convencer de que ganhou, de que Lula foi eleito, tomou posse e desde então se tornou novamente o Presidente do Brasil, o nosso presidente.

A disputa com Bolsonaro, que não teria razão nenhuma para existir (Bolsonaro foi derrotado), domina o plano político e parece ter entrado na mente da esquerda. É uma agenda única monopolizando as pautas, chegando ao congelamento dos poderes institucionais em todas as instâncias, até mesmo o STF.

A polarização, comprovadamente desnecessária, seja pelos resultados das urnas até a posse dada pelo Congresso, embora sem ter recebido a faixa do ex-presidente, já soma um enorme tempo de um governo que, por isso, não se consolida internamente – teimam em continuar a campanha – e nem nas ruas e nas bases populares, onde o presidente nasceu e se criou.

Uma pesquisa no Google com a frase ‘cerimônia de posse de Lula’, restrita ao último ano, confirma: Lula é anunciado em cerimônias no mundo todo… menos nas deles, porque em qualquer evento o governo e o PT entregam o protagonismo para Bolsonaro e o bolsonarismo.

Pelo menos duas vezes, Lula já observou isso e reagiu. Pediu que o PT voltasse aos movimentos de base, incentivando e apoiando as lutas populares. Primeiro foi com Quaquá, e não aconteceu.

Em janeiro, até o ex-deputado e ex-ministro José Dirceu foi um nome pensado para a tarefa. Os bastidores petistas defendiam a candidatura dele para a presidência do partido, como um nome capaz de reestabelecer o diálogo com a base do partido.

Agora é com Lindbergh Farias que, também refém da novela Bolsonaro, não consegue mudar o quadro e ambos, como se pode ver nos noticiários, diariamente se ocupam cada vez mais com o ex-presidente.

Assim, governo, petistas e esquerda, igual à direita, acabam fazendo política e governança que deixa pensar, a cada dia e cada vez mais, que o projeto é único: o de poder. E isso não faz bem a ninguém.

O Brasil foi para as urnas nas últimas eleições dividido pelos candidatos, mas unido por um só ideal, o melhor país melhor para os brasileiros. Lula conquistou 60.345.999 votos de eleitores, com a responsabilidade de mostrar aos 58.206.354 que preferiram seu adversário, que é capaz e competente nas realizações necessárias.

O Efeito Bolsonaro, gerado e amamentado pela esquerda, contudo, deixa mostrar um governo fraco para aprovar suas agendas mais reformadoras, um governo que não consegue mostrar o que faz e, em meio aos escândalos que se multiplicam, deixa Lula amargar as estatísticas de popularidade.

Aos nacionais, a gente trabalhadora que constrói esse país e gente que se interessa pelo desenvolvimento da nação e do seu povo, esses mesmos nomes já são percebidos com indiferença. O que, na prática política, ao contrário, é observado com muita atenção porque essa falha pode ser a porta para uma terceira via eleitoral.

Michel Miguel Elias Temer Lulia, nome e sobrenome, com todas as letras, que o diga.

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