O Estado do Rio de Janeiro se prepara para uma ação robusta no combate ao crime organizado, buscando apoio do Exército e da Polícia Federal para retomar territórios controlados por facções ligadas ao tráfico de drogas. A proposta será discutida com o governo federal e, posteriormente, apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) até 15 de outubro.
O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor dos Santos, indicou que as operações conjuntas podem ter início ainda em 2025. O planejamento inicial prevê ações em áreas de “baixa criticidade”, ou seja, com menor complexidade, antes de avançar para locais mais desafiadores. “Existem várias comunidades que poderão ser contempladas neste primeiro momento. Cidade de Deus, algumas regiões de São Gonçalo, Vila Kennedy, Antares e Mangueirinha”, exemplificou o secretário. Favelas como o Complexo do Alemão, por sua vez, são consideradas de alta criticidade e demandarão uma estratégia diferenciada.
GLO para blindados e presença integral do Estado
Para viabilizar legalmente a atuação do Exército, o governo fluminense solicitará a implementação de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO) à União. Os militares seriam essenciais, principalmente com o uso de veículos blindados, para remover obstáculos como barricadas e enfrentar o pesado arsenal bélico dos criminosos.
Essa iniciativa é uma resposta direta à determinação do STF na chamada “ADPF das Favelas”. Em abril, a Corte exigiu que o governo do Rio elabore um plano abrangente de reocupação das comunidades dominadas por grupos armados, como parte das medidas para reduzir a letalidade policial no estado.
O secretário Victor dos Santos enfatizou que a presença do Estado nas comunidades não se limitará a ações policiais. “O poder público não pode se fazer presente na comunidade só com polícia. O Estado tem que se fazer presente de forma plena. E, quando falo ‘Estado’, falo município, estado e União”, concluiu, reforçando a necessidade de ações integradas que vão além da segurança.






