A persistência das chuvas no Noroeste Fluminense e na divisa com Minas Gerais transformou diversas estradas rurais em verdadeiros lamaçais, isolando comunidades e gerando prejuízos a produtores e moradores. Entre a tarde de quinta-feira (22) e a manhã deste sábado (24), registros de atolamentos e vias intransitáveis multiplicaram-se em Itaocara, Santo Antônio de Pádua e na região de Pirapetinga (MG).
Em Itaocara, o cenário é de revolta. Na “Estrada Nova”, que liga a localidade de Valão do Barro, um caminhão de leite atolado na última quinta-feira tornou-se o símbolo do descaso denunciado pela população. Segundo agricultores, a falta de manutenção se arrasta desde 2024. A indignação recai sobre o Poder Legislativo, com moradores cobrando a ausência de fiscalização dos vereadores. No distrito de Barro Branco, o acesso à região dos SIAS (Sibéria) também foi bloqueado pela lama. Moradores denunciam que a prefeitura teria colocado barro em vez de saibro na via, o que, com a chuva, agravou as condições de tráfego.
O silêncio do poder público
O sentimento comum entre os relatos é o de abandono. Em Itaocara, os moradores questionam se as indicações para cargos na área rural seguem critérios técnicos ou apenas acordos políticos. Enquanto as obras prometidas em Pirapetinga não avançam e as manutenções preventivas não ocorrem em Pádua, a população segue dependendo da solidariedade de vizinhos para desatolar veículos e conseguir se deslocar para serviços básicos.
Com a previsão de continuidade das chuvas até segunda-feira (26), a tendência é que o solo saturado torne ainda mais difíceis as intervenções emergenciais, aumentando o desgaste psicológico e financeiro das comunidades rurais.
Imagens de Mip Itaocara, Noticiário Paduano e Pirapetinga Notícias.






