Um levantamento realizado em Nova Friburgo e em outros municípios da Região Serrana do Rio de Janeiro revela que profissionais com mais de 50 anos enfrentam sérios obstáculos para retornar ao mercado de trabalho formal. O cenário reflete uma contradição demográfica: enquanto a expectativa de vida aumenta e o período de atividade produtiva se estende, as oportunidades de contratação parecem diminuir para quem atingiu a maturidade, atingindo setores fundamentais como o comércio, a indústria e a prestação de serviços.
A especialista em recolocação profissional Priscila Sales (@priscilasalesrh) aponta que o entrave raramente está ligado à falta de competência técnica. Segundo a consultora, o mercado ainda é movido por estereótipos que associam o trabalhador mais velho a uma suposta falta de flexibilidade, resistência ao uso de novas tecnologias ou a um custo salarial elevado. Essas percepções equivocadas alimentam o etarismo — o preconceito baseado na idade —, que se manifesta de forma silenciosa durante as etapas de seleção.
O etarismo na Região Serrana costuma aparecer de maneira subjetiva nos processos seletivos. Entre os principais pontos relatados por candidatos e especialistas, destacam-se:
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Preferência por perfis jovens: Empresas buscam profissionais em início de carreira na expectativa de moldá-los mais facilmente à cultura organizacional.
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Barreiras tecnológicas: O mito de que o profissional 50+ não domina ferramentas digitais, mesmo quando o candidato possui certificações atualizadas.
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Currículos desatualizados: Muitos profissionais experientes focam em descrições longas de cargos passados, em vez de destacar resultados práticos e adaptabilidade ao mercado atual.
Para superar essas barreiras, o caminho exige esforço de ambos os lados. Priscila Sales defende que as empresas precisam começar a valorizar a inteligência emocional e a estabilidade que a experiência traz, características que costumam reduzir a rotatividade de funcionários. Por outro lado, para o profissional 50+, a orientação é investir no fortalecimento da presença digital, especialmente em redes profissionais como o LinkedIn, e manter um currículo dinâmico que mostre aprendizado contínuo.
A inclusão desse público não é apenas uma questão de justiça social, mas uma necessidade econômica urgente. Com a mudança na pirâmide etária do país, ignorar o potencial de quem tem mais de 50 anos significa abrir mão de uma força de trabalho qualificada e resiliente que, cada vez mais, compõe a base da sociedade brasileira.






