A investigação da Polícia Federal sobre a chamada “Farra do INSS” revelou um esquema sofisticado de desvio de recursos que atinge a cifra de R$ 640 milhões. No centro da operação está a Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares), que, além de ser alvo por descontos indevidos em aposentadorias entre 2022 e 2025, possui uma dívida ativa considerável com a União.
Segundo as apurações, o esquema não se limitava apenas à retenção de valores, mas contava com um braço político influente para garantir a manutenção dos acordos com o INSS e a blindagem contra fiscalizações externas.
Radiografia do Débito e da Fraude
Enquanto movimentava milhões em repasses suspeitos, a Conafer acumulava pendências financeiras diretas com o Governo Federal. O levantamento aponta que quase 90% dos valores desviados foram pulverizados em empresas de fachada para dificultar o rastreio.
| Tipo de Débito da Conafer | Valor Aproximado |
| Tributários e Previdenciários | R$ 438,5 mil |
| Dívidas Trabalhistas | R$ 105,2 mil |
| Pendências com o DF | R$ 17,0 mil |
| Total em Dívida Ativa | R$ 560.001,26 |
O “Núcleo Político”: Propina e Blindagem
A Polícia Federal identificou que o suporte político era essencial para o funcionamento da engrenagem criminosa. O nome de maior destaque entre os beneficiários de propina é o do deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG).
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Valores Recebidos: Estima-se que o parlamentar tenha recebido ao menos R$ 14,7 milhões.
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Modus Operandi: Os pagamentos teriam sido viabilizados por meio de uma casa lotérica e uma construtora no interior de Minas Gerais.
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Contrapartida: O grupo político atuava no acesso direto ao INSS para manter os convênios de desconto da Conafer e obstruir investigações que pudessem expor a associação.
Prisão na CPMI e Falso Testemunho
O presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, já havia protagonizado um momento de tensão no Congresso Nacional. Durante depoimento à CPMI que apura as fraudes, ele teve a prisão em flagrante decretada por falso testemunho, embora tenha sido liberado pouco tempo depois. A PF sustenta que as mentiras proferidas visavam proteger o esquema de transferência de recursos para as empresas de fachada.
“A Conafer operava como um duto de recursos retirados diretamente do bolso dos aposentados, contando com uma rede de proteção que chegava ao alto escalão do Legislativo”, aponta o relatório da investigação.






