O Governo Lula tem pela frente os donos do dinheiro

Os conflitos do governo Lula com os donos do dinheiro tem uma história já relativamente longa e assumem várias facetas, sendo a crise cambial a que hoje mais expõe o problema, na medida que o vil metal é, dentro do atual modelo econômico globalizado, o grande pilar de sustentação da gestão das economias neoliberais.

No tocante a esses conflitos, deve ser sublinhado que no parlamento as intervenções da extrema-direita, com a sua política do vale-tudo, têm gerado despesas e mais despesas no orçamento, o que vem demandando, na maioria das vezes, aumento de preocupações em relação a questão fiscal. Mais ainda: a esta irresponsabilidade política devemos acrescentar, é claro, o estrutural do problema que é a gestão da dívida pública.

Além dos problemas mencionados, o governo vem sempre sendo obrigado a resolver os pepinos decorrentes das cobranças do mercado em relação ao ajuste fiscal afinado com os interesses da minoria rentista e não com o da maioria esmagadora da população.

Inobstante tudo o que foi posto, a questão agora – a guerra contra os donos do dinheiro – se reveste de uma preocupação bem maior em função do grau de sensibilidade do problema do câmbio, já que “os donos da bufunfa” são os verdadeiros poderosos e, em última instância, se sentem os donos da república, independentemente dos resultados das eleições.

Assim, em 2002, antes da eleição presidencial, que assegurou a primeira vitória do presidente Lula, a crise cambial apresentou diversos contornos e o risco país, que retrata a visão do mercado financeiro, subiu astronomicamente.

Agora, em 2024, em relação ao problema cambial, temos a eleição de Trump como um dado relevante a ser considerado, ao mesmo tempo que, internamente, as eternas pressões do mercado financeiro, exigindo um maior controle do gasto público, traduz-se em preocupações do governo com a gestão fiscal e com os seus desdobramentos em todos os sentidos.

Como se pode observar, a situação exige um nível de articulação política do governo melhor do que a do ano anterior. E, neste momento, o fator positivo a ser ressaltado é que a dupla Lula e Haddad vem tendo um desempenho muito bom a frente do aparelho de estado e as expectativas em relação à nova administração do Banco Central também são boas, embora o realismo das políticas monetárias nos obrigue a sempre ficarmos cautelosos.

Facebook como passatempo.

Claro que o tal entretenimento, um verniz que acoberta um sem número de controles político-ideológicos, capazes de manter a população enjaulada no mundo do senso comum e refém de uma porção de práticas das elites, é o caminho natural que, hegemonicamente, acaba trilhando as mídias dominantes em suas relações com o público em geral.

Entretanto, não se pode deixar de perceber que a financeirização da economia e as eternas e sucessivas crises econômicas estão ancoradas no mundo das informações que circulam instantaneamente nas redes sociais.

Ressalte-se, ainda, que, nos dias de hoje, o “empastelamento das redes”, em função da arquitetura da internet, não passa de uma forma diferenciada de controle mental dentro das regras, mais amplas, da sociedade do controle.

Assim, a sensação que se tem é a de que foi criado “um aquário global” que nos faz lembrar a velha “Alegoria das cavernas” e que tornou nula a própria dialética hegeliana, baseada no binômio senhor – escravo, ficando então todos reféns de estruturas do passado revigoradas pelo presente.

Parêntese: Como nas atuais condições históricas o capitalismo não tem como dar lugar a algo diferente que empurre a roda da história, vivemos patinando em crises e mais crises, com remakes e mais remakes, semelhante à situação do “cachorro mordendo o seu próprio rabo”.

Quem seriam os donos deste mundo tão apocalíptico e imerso em tantas crises?

A razão transformada em tecnologia a serviço da acumulação enlouquecida de capital? O Senhor do Tempo pregado nas igrejas com múltiplos significados? O “nada” de Sísifo que reflete o grande hospício planetário? Etc, etc, etc…

Abandonando as preocupações escatológicas, que tendem a nos aprisionar a modelos que se situam para além do posto, talvez o melhor caminho a ser trilhado pelos internautas seja o de manter o “espírito crítico”. Mas, por outro lado, seguindo a lógica do entretenimento, não menos importante talvez seja dar corda as NTICS encarando-as também como um novo passatempo.

Pensem nisso, Jansen Cunha!

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