O papa Leão XIV realizou, nesta segunda-feira (25), um pedido histórico de perdão pelo papel desempenhado pela Santa Sé na legitimação da escravidão, reconhecendo a demora institucional em condenar a prática. O pontífice descreveu o histórico do Vaticano sobre o tema como uma “ferida na memória cristã”.
Embora papas anteriores tenham se desculpado pelo envolvimento de cristãos no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, este é o primeiro reconhecimento explícito da responsabilidade direta de antigos líderes da Igreja que autorizaram soberanos europeus a subjugar e escravizar povos considerados “infiéis”.
O pedido de desculpas foi formalizado na encíclica “Magnifica Humanitas” (“Humanidade Magnífica”), a primeira de seu pontificado. Leão XIV, que é o primeiro papa nascido nos Estados Unidos e possui uma linhagem familiar marcada tanto por pessoas escravizadas quanto por proprietários de escravos, atendeu a uma demanda de longa data de ativistas, estudiosos e católicos negros.
Em sua declaração, o papa expressou a dor institucional perante os fatos: “É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e humilhação suportados por tantos, em contraste com sua dignidade incomensurável como pessoas infinitamente amadas pelo Senhor. Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.”






