O cenário político nacional sofreu uma alteração estrutural nesta sexta-feira (20) com a confirmação da saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda. Por determinação do presidente Lula, Haddad assume a pré-candidatura do PT ao Governo de São Paulo, deixando a equipe econômica sob o comando de seu braço direito, Dario Durigan.
Durante a gestão de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda (2023–2026), a estratégia econômica não se baseou necessariamente na criação de “novos nomes” de impostos (com exceção do Imposto Seletivo da Reforma Tributária), mas sim na revogação de desonerações, criação de novas modalidades de taxação e aumento de alíquotas em setores antes isentos ou submetidos a tributação menor.
Embora a Reforma Tributária vise simplificar o sistema (unificando impostos no IVA), ela criou o Imposto Seletivo (conhecido como “imposto do pecado”). Este é um novo tributo federal que incide sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e veículos poluentes.
A gestão de Haddad foi marcada por um contraste profundo entre o sucesso na coleta de impostos e a deterioração das contas públicas:
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Recorde de Arrecadação: Em janeiro de 2026, o Brasil registrou a maior arrecadação da história (R$ 325,7 bilhões). A carga tributária saltou para 32,3% do PIB, o que rendeu ao ministro críticas populares e o apelido de “Taxxad”.
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Explosão da Dívida: Apesar da entrada recorde de dinheiro, a dívida bruta saltou de 71,7% (2023) para uma projeção de 84,9% do PIB em 2026.
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Déficit Persistente: O país reverteu o superávit de 2022 para um déficit nominal que atingiu a marca de R$ 1 trilhão pelo terceiro ano consecutivo.
O Que Esperar de Dario Durigan?
Com a posse de Durigan, a expectativa do mercado é de continuidade. No entanto, o novo ministro assume com o incêndio dos combustíveis para apagar (alta de 25% no diesel) e a missão de acalmar investidores preocupados com o rombo fiscal e a sustentabilidade da dívida pública.






