Dados recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) revelam uma pressão de alta nos preços de commodities essenciais na reta final de março de 2026, com destaque para o óleo de soja e o feijão. No caso da soja, o movimento é sustentado pela expectativa de um aumento significativo na demanda interna, atrelado às discussões sobre a nova mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil.
Em São Paulo, o óleo bruto e degomado atingiu a marca de R$ 6,9 mil por tonelada no dia 24 de março. Este é o valor mais alto registrado pelo indicador desde o início de dezembro do ano passado, quando os preços flutuaram próximos a R$ 7 mil. Analistas do setor observam que, embora o mercado global influencie as cotações, o fator determinante para este salto atual é doméstico: a possibilidade de elevação da mistura de biodiesel de B15 para B16.
A implementação da mistura B16 estava prevista para o dia 1º de março, mas, devido a ajustes regulatórios, ainda não foi oficializada. Esse atraso na execução tem funcionado como um “limitador”, impedindo uma alta ainda mais agressiva nos preços de curto prazo. No entanto, as indústrias já trabalham com a precificação baseada na expectativa de consumo futuro, mantendo os valores pressionados nas gôndolas e nas negociações de atacado.
Além do óleo de soja, o feijão também apresenta tendência de alta neste fechamento de mês, impactando diretamente o custo da cesta básica brasileira. O cenário acende um alerta para a inflação de alimentos, uma vez que a soja é a principal matéria-prima para o óleo de cozinha e um componente vital para a produção de proteína animal e biocombustíveis.
Foto: Folha de São Paulo.






