Tarifaço de Trump ameaça US$ 23 bilhões em exportações brasileiras e coloca empresários contra diplomacia de Lula

Brasília, 12 de julho de 2025 – A recente medida anunciada por Donald Trump, que prevê uma sobretaxa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil a partir de 1º de agosto, está gerando um alerta vermelho entre empresários brasileiros. Cálculos da XP Investimentos apontam para uma possível perda de US$ 23 bilhões em negócios com os Estados Unidos — o segundo maior destino das exportações brasileiras — até o final de 2026. A estimativa inclui uma redução de cerca de US$ 6,5 bilhões ainda neste ano e mais US$ 16,5 bilhões em 2026.

Diante do cenário, os exportadores pressionam o governo de Luiz Inácio Lula da Silva para que busque negociações diplomáticas que possam reverter o “tarifaço”. No entanto, o presidente Lula tem demonstrado relutância, indicando a intenção de aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica, o que poderia acirrar ainda mais a tensão comercial entre os dois países.

Especialistas em comércio exterior alertam que os setores de produtos de maior valor agregado serão os mais impactados pela medida protecionista de Trump, superando até mesmo a agropecuária, que possui menor dependência do mercado norte-americano.

Campos ressalta que a sobretaxa eleva custos, diminui a competitividade dos produtos brasileiros e gera uma grande insegurança comercial. Para enfrentar esse novo cenário geopolítico e mais protecionista, o empresariado brasileiro precisará diversificar mercados, buscar acordos bilaterais mais robustos e adotar estratégias de mitigação de risco.

O anúncio da sobretaxa pegou muitos exportadores de surpresa. A indústria de petróleo e derivados, por exemplo, que tem na commodity o principal produto de exportação para os EUA, expressa grande preocupação.

Um exemplo da paralisação já sentida é a suspensão das exportações de pescados brasileiros para os Estados Unidos. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) informou que, desde a última quinta-feira (10), pelo menos 1.500 toneladas de peixes e frutos do mar deixaram de ser embarcadas para o país norte-americano, evidenciando o impacto imediato da medida na cadeia produtiva brasileira.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *