O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, nesta terça-feira (24), a inelegibilidade do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e do deputado estadual Rodrigo Bacellar, pelo prazo de oito anos. A decisão fundamenta-se na acusação de abuso de poder político e econômico durante o processo eleitoral de 2022, em um desdobramento do caso que ficou conhecido como “escândalo do Ceperj”.
A condenação atinge o núcleo político do estado após investigações apontarem o uso irregular de contratos temporários na Fundação Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Segundo o Ministério Público Eleitoral, essas contratações foram utilizadas para o pagamento de cabos eleitorais com recursos públicos, configurando conduta proibida a agentes públicos e desequilíbrio no pleito.
A decisão do tribunal ocorre apenas um dia após Cláudio Castro renunciar oficialmente ao cargo de governador. A movimentação foi interpretada por analistas jurídicos e políticos como uma tentativa estratégica de evitar a cassação direta do mandato e tentar preservar seus direitos políticos para futuras disputas, como uma eventual candidatura ao Senado.
No entanto, o entendimento do TSE prevaleceu pela aplicação da sanção de inelegibilidade, independentemente da renúncia prévia. Com isso, tanto Castro quanto Bacellar — que está afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) — ficam impedidos de disputar eleições pelos próximos oito anos.
O processo teve início ainda em 2022, motivado por denúncias de gastos eleitorais irregulares e abuso de poder. As investigações revelaram um esquema de “folhas de pagamento secretas”, onde funcionários eram contratados sem critérios técnicos transparentes, servindo como base de apoio político para a chapa governista.
A defesa dos citados ainda pode recorrer da decisão, mas a aplicação da inelegibilidade imediata altera significativamente o cenário político fluminense e as articulações para os próximos ciclos eleitorais no estado.






