Central, faltam alguns poucos dias para ele sair da direção do banco, o presidente do BC recebeu dois grandes encargos da elite política e econômica, que poderiam ser resumidos politicamente na síntese: fazer oposição por dentro a fim de inviabilizar uma maior legitimidade do governo junto a população.
Assim, a política de juros elevadíssimos, com o seu verniz de tecnicalidade, tem a ver essencialmente com a tentativa de aprisionar o governo a gestão da dívida pública, o seu endividamento via monetarismo ortodoxo, o que empurra a macroeconomia para limites cada vez mais estreitos em relação as responsabilidades sociais do governo, ao mesmo tempo que gera a cobrança, por parte do chamado “mercado”, de uma maior austeridade fiscal.
Ao cenário de irresponsabilidade política do atual presidente do banco, devemos acrescentar o óbvio, qual seja os ganhos que o pessoal do andar de cima, vinculado ao rentismo, obtém em função dos juros estratosféricos, já que são eles os donos dos títulos das dívidas públicas emitidos pelo governo e também os que endividam as pessoas físicas e jurídicas, comprometendo os orçamentos de pequenas e médias empresas e das famílias de um modo geral.
A economia vai bem. Mas, o bolsonarismo…
A menos que você tenha um IBGE próprio ou um outro instituto qualquer que faça o levantamento dos números da economia brasileira e produza resultados diferentes dos que são tornados públicos, o que se tem concretamente são os dados fornecidos pelos institutos e divulgados por boa parte da mídia sobre a nossa economia. E, embora seja um crítico do empirismo econômico, os números, em parte, falam por si só.
Inobstante esta realidade, sabemos que o terraplanismo econômico nas redes sociais explora o mal-estar criado pelo chamado “mercado”, ou de forma mais objetiva, do mal-estar criado pelos ricaços, assim como também à ignorância de parte da população que vive olhando o seu umbigo para fazer suas análises macroeconômicas. E aí a inflação é a inflação dos tomates pendurados no pescoço da Ana Maria Braga ou do preço da batata do dono da quitanda que quer ganhar dinheiro especulando.
Assim, na contramão do diagnóstico das elites, estamos caminhando e, inclusive, precisamos avançar na reforma tributária para aprofundar a consolidação de quem sabe, um novo modelo econômico alternativo baseado no sonho Desenvolvimentista.
Para além deste cenário, observando o que acontece hoje em São Paulo, é possível colocarmos holofotes no “mal-estar” produzido pelo tipo de vida que levamos – a do stress gerado por um sem-número de coisas linkadas a ontologia humana e às estruturas da sociedade – e que tem no problema da violência urbana sua face mais visível aos olhos de muita gente.
Nesse sentido, é que chamo à atenção de vocês para os reflexos perversos da cultura bolsonarista que, já a um certo tempo, vem estimulando práticas violentas, cujo epicentro foi o “8 de Janeiro”. E que, agora, em São Paulo, vem se traduzindo na violência de parcela do aparelho de estado, nas mãos do bolsonarista Tarcísio de Freitas, contra a população.
Jansen Cunha






