A 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), revelou que 56% das mulheres transexuais e travestis entrevistadas relataram ter sofrido algum tipo de violência nos últimos 12 meses.
O levantamento, realizado entre maio e julho de 2025, trouxe pela primeira vez um recorte específico sobre mulheres trans. Entre as entrevistadas, 40% afirmaram ter sofrido agressões verbais relacionadas à identidade de gênero, 17% relataram agressões físicas e 12% disseram ter sido vítimas de violência sexual.
A pesquisa também apontou que muitas situações de discriminação e violência acabam sendo naturalizadas pelas vítimas. Inicialmente, apenas 4% das entrevistadas afirmaram ter sofrido violência de gênero, mas, ao serem questionadas sobre situações específicas, mais da metade relatou episódios de agressão, constrangimento ou discriminação.
No ambiente doméstico, 47% das entrevistadas disseram já ter sofrido violência, principalmente de natureza psicológica. Os impactos afetam o convívio social, a rotina diária, os estudos e a vida profissional.
O levantamento também evidenciou dificuldades no mercado de trabalho. Mais da metade das entrevistadas possui renda inferior a dois salários mínimos, e muitas relataram experiências de preconceito durante processos seletivos e dificuldades para conseguir emprego, mesmo possuindo qualificação profissional.
Os dados foram apresentados durante debate sobre políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero e reforçam a necessidade de ampliar ações de proteção, inclusão social, acesso ao mercado de trabalho e combate à discriminação.
A pesquisa integra o trabalho do Observatório da Mulher contra a Violência e contribuirá para o fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção e garantia de direitos das mulheres no Brasil.
Fonte: Agência Senado.






