Crise na saúde em Campos contrasta com orçamento milionário da prefeitura

Enquanto a Prefeitura de Campos dos Goytacazes exibe um robusto orçamento anual superior a R$ 3 bilhões, a realidade nos bastidores da saúde local é alarmante. Quatro pilares do Sistema Único de Saúde (SUS) na região – o Hospital dos Plantadores de Cana, a Santa Casa de Misericórdia, a Beneficência Portuguesa e o Hospital Escola Álvaro Alvim – lutam desesperadamente para sobreviver em meio a uma grave crise financeira. A dívida acumulada, resultado de repasses não efetuados desde 2016, já ultrapassa a marca de R$ 100 milhões.

A situação crítica foi exposta pelo Sindicato dos Hospitais do Norte Fluminense (SINDHNORTE), que aponta para uma combinação perversa de má gestão da saúde municipal, tabelas de custeio estagnadas desde 2017 e os impactos persistentes da pandemia, que inflacionou os custos de insumos em até 300%.

Em uma reunião extraordinária realizada na última terça-feira (29/04), diretores das instituições e representantes do SINDHNORTE soaram o alerta para o risco iminente de desabastecimento de medicamentos, redução drástica de leitos e até mesmo a paralisação de serviços essenciais, como cirurgias ortopédicas e atendimentos em cardiologia.

“Estamos sendo obrigados a subsidiar o SUS com recursos próprios, sem receber os repasses devidos da Prefeitura. Essa situação é insustentável e coloca em risco o atendimento à população”, lamentaram os dirigentes das unidades hospitalares.

Além do passivo bilionário, as instituições enfrentam um congelamento da tabela municipal de custeio que se arrasta desde 2017, enquanto a inflação e os custos hospitalares seguem em ritmo acelerado. O Hospital Escola Álvaro Alvim, por exemplo, já sente os impactos no seu programa de residência médica. “Sem os repasses, torna-se impossível adquirir materiais básicos e honrar compromissos com fornecedores, afetando inclusive a formação de novos médicos”, explicou um técnico da unidade ligada à Fundação Benedito Pereira Nunes.

A Santa Casa de Misericórdia, que emprega cerca de 800 profissionais, já precisou reduzir em 30% os atendimentos de média complexidade. “Se os pagamentos não forem regularizados, seremos forçados a fechar alas inteiras”, alertam os gestores da instituição.

O desabastecimento nas farmácias dos hospitais é um ponto de extrema preocupação. O Hospital dos Plantadores de Cana, referência regional no combate à dengue, já enfrenta a falta de soros e medicamentos básicos. A emergência pediátrica da unidade está atendendo apenas os casos mais graves. A Beneficência Portuguesa, por sua vez, já precisou fechar as portas de sua maternidade. A comunidade de Campos dos Goytacazes observa com apreensão o desenrolar dessa crise que ameaça a assistência à saúde em um momento crucial.

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