“Inflação vai piorar antes de melhorar”, diz sucessor de Galípolo no Banco Central

O novo diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, afirmou que o aumento de preços ainda vai persistir no Brasil. Isso ao menos no curto prazo. “A gente entende que os próximos meses serão desafiadores”, disse David. “A inflação de 12 meses vai piorar antes de melhorar.” A afirmação foi feita em evento, uma live, com Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco.

David assumiu o cargo em janeiro de 2025, substituindo Gabriel Galípolo, que passou a ser o presidente do BC. Ele é formado em engenharia de produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Desde 2019, foi chefe de operações na Tesouraria do próprio Bradesco.

Na conversa com o executivo do banco privado, David acrescentou que, no terceiro trimestre do ano que vem, o atual horizonte relevante o BC, a inflação deve chegar a 4% ao ano. Esse percentual a coloca a taxa dentro da meta, mas acima do centro, que é de 3% (ela tem um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que leva o número a 4,5% ao ano).

“O grande desafio vai ser ver essa inflexão da inflação, que não vai acontecer nos próximos meses”, frisou o novo diretor do BV. “Isso não é o esperado. A incerteza é grande.”

David observou que, diante desse quadro, não acredita que as expectativas do mercado em torno do processo inflacionário mudem rapidamente. “Como a gente não vê a inflação cedendo nos próximos meses, não antevê uma grande alteração das expectativas”, afirma. “Como há maior volatilidade do que de costume, as pessoas vão ter alguma relutância e trazer para baixo (as expectativas), depois de levá-las para cima recentemente.”

O novo diretor do BC acrescentou que o aumento de tarifas de produtos de importação, promovido pelo presidente dos Estado Unidos, Donald Trump, oferece riscos tanto para a alta, mas também para a eventual queda de juros na economia americana.

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