Washington, D.C. – Em uma semana crucial para as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, uma missão oficial do Senado brasileiro, composta por oito senadores, iniciou nesta segunda-feira (28 de julho) uma série de reuniões em Washington, D.C. O objetivo é claro: evitar a imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, que está prevista para entrar em vigor a partir de 1º de agosto.
A guerra tarifária, que ameaça inviabilizar a exportação de diversos produtos, incluindo a carne bovina, motivou a mobilização diplomática e política brasileira. A delegação de senadores busca estabelecer diálogos estratégicos para reverter a decisão anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em 9 de julho.
Agenda intensa em Washington
Nesta manhã, os senadores tiveram um encontro na residência oficial da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Participaram também representantes do Itamaraty, ministros da embaixada e o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), embaixador Roberto Azevêdo, reforçando a importância da agenda.
No período da tarde, a missão oficial seguiu para a sede da Câmara Americana de Comércio, onde foram realizadas reuniões com lideranças empresariais e representantes do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos. A expectativa é que esses encontros com o setor privado americano possam gerar apoio e pressão interna nos EUA para a revisão da medida.
Para esta terça-feira (29), a agenda dos senadores inclui seis encontros já agendados com parlamentares americanos, além de outras reuniões em tratativa. A delegação busca sensibilizar o Congresso americano sobre os impactos negativos da tarifa para ambos os países.
Polarização e ausência de diálogo entre presidentes
Entre os senadores que chegaram a Washington no domingo (27) e participaram de uma reunião preparatória, estavam Carlos Viana (Podemos-MG), Jacques Wagner (PT-BA), Rogério Carvalho (PT-SE), Nelsinho Trad (PSD-MS), Esperidião Amin (PP-SC), Teresa Cristina (PP-MS), Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e Fernando Farias (MDB-AL). As discussões prévias abordaram temas diversos, incluindo questões de pragmatismo político, o sistema PIX e até mesmo a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro, indicando a amplitude dos temas em debate.
Apesar da movimentação intensa de políticos, entidades e empresas brasileiras para evitar o tarifaço, um ponto crucial de tensão é a ausência de um diálogo direto entre o presidente Trump e o presidente Lula (PT) desde o anúncio da sobretaxa. A falta de comunicação bilateral em alto nível tem sido amplamente cobrada por diversos setores.
A U.S. Chamber of Commerce e a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), duas das principais organizações que representam os interesses do setor privado americano, publicaram uma nota conjunta solicitando que os dois países “se engajem em negociações de alto nível a fim de evitar a implementação da tarifa de 50%”. Isso demonstra que há vozes dentro do próprio empresariado e do mundo político americano tentando convencer Trump a reduzir ou desistir das tarifas, que devem entrar em vigor na próxima sexta-feira, 1º de agosto.
Fontes: Senado Federal e BBC News.
Texto: Folha de Pádua, 2025.






